Desenvolvendo jogos mobile entrevista

Muitos gamers já sonharam em desenvolver seus jogos tanto para mobile que parece ser o caminho mais simples a seguir antes de chegar nas grandes plataformas como a Steam, trouxemos então o Gustavo Cisneiros para falar sobre esse assunto e esclarecer algumas duvidas, ele atualmente desenvolve jogos mobiles em sua maioria para a Asia e Europa, um dos seus jogos já chegou no TOP 10, além disso, trabalha com programação para diversas empresas nacionais e internacionais.

Steam Brasil: Muitos gamers sonham em produzir o próprio game, seja ela nas plataformas como a Steam, ou mesmo, mobile. Como se tornar um desenvolvedor de jogos? Quais os cursos necessários? É necessário encarar a universidade para isso?

Gustavo Cisneiros: Respondendo a esta pergunta de maneira bem objetiva, o que eu aconselho para estas pessoas é primeiro buscar tutoriais no Youtube ensinando a como criar um jogo usando a ferramenta Unity 2D, por ser uma das ferramentas mais difundidas neste segmento, de modo que possam conhecer um pouco do quanto de complexidade existe nesta atividade.
Se após esta primeira etapa ainda existir o desejo de criar algo, mesmo ciente da quantidade de trabalho e estudo exigida, recomendo investir dinheiro em um dos cursos de desenvolvimento de jogos com Unity 2D da plataforma Udemy, buscando entre os cursos melhores avaliados aquele que mais se adeque aos seus objetivos.
Muitos destes cursos são direcionados para pessoas que nunca tiveram contato nem com a área de desenvolvimento de software, faz-se então necessário ler com calma a descrição de cada curso de forma a encontrar o que melhor o atenda.
Cursar uma universidade é totalmente dispensável, neste segmento o importante é seu conhecimento técnico e seu histórico de projetos criados.

Steam Brasil: Como é o mercado brasileiro para quem quer se aventurar em fazer games?

Gustavo Cisneiros: O interessante desta área de negócio é que o profissional pode escolher seguir tanto um perfil de carreira como funcionário de uma empresa como um de empreendedor, vendendo seus produtos.
Para quem deseja se especializar como um profissional de carreira, o Brasil ainda é um mercado pequeno, neste caminho o indicado é visar empresas do exterior, criar contatos com pessoal de empresas estrangeiras através das redes sociais, enquanto aperfeiçoa sua proficiência no idioma inglês.
Optando por empreender, o profissional trabalhando sozinho fica limitado à criação de jogos mais simples, mas tem a seu alcance consumidores do mundo todo através de plataformas como a Steam, a App Store da Apple e a Google Play, para vender seus trabalhos.
Independentemente do caminho que escolher, o sucesso financeiro não virá fácil, dependerá de muito esforço em estudo, networking e auto divulgação.

Steam Brasil: Que tipos de jogos você desenvolve?

Gustavo Cisneiros: Eu escolhi me especializar em jogos casuais para dispositivos móveis, gênero que tem como exemplos conhecidos os sucessos Angry Bird, Candy Crush e Bubble Witch.
O público-alvo são os jogadores que preferem fases curtas e rápidas, são jogos que não exigem muita dedicação e que permitam se divertir mesmo estando fora da internet.
O meu maior sucesso foi um chamado Go Guguti! Go!, de 2012. Atualmente ele não está mais disponível nas lojas oficiais para download, mas imagens e vídeos podem ser encontrados buscando no Google.

Steam Brasil: Qual a vantagem dos jogos mobile pra outros tipos de jogos? E porque muita gente diz que há jogos que rodam melhor para mobile do que para outras plataformas?

Gustavo Cisneiros: Não há no que se falar de vantagem de jogos mobile sobre os outros tipos, o que existem são diferenças, de público alcançado e de plataformas de venda, o profissional deve optar por trabalhar no segmento de jogos com qual mais se identifica.
Quando um jogo é produzido direcionado para diversas plataformas, seja para smartphones, seja para consoles de videogame ou para PC, geralmente uma delas é determinada como a principal, e ele acaba sofrendo perda de qualidade ao ser adaptado para as outras.
Logo, um jogo inicialmente produzido para plataformas mobile pode exibir gráficos ruins quando adaptado para PCs, da mesma forma que jogos de video game podem apresentar perda de performance ao serem transportados para smartphones.

Steam Brasil: Desenvolver jogos já é uma tarefa difícil. Para celular pode ser uma tarefa um pouco mais complexa, pois é necessário pensar na adaptação para a jogabilidade tocando na tela. Quais os maiores desafios em desenvolver um game para mobile?

Gustavo Cisneiros: Certamente manter o jogo compatível com toda essa diversidade de aparelhos móveis presentes no mercado é um dos maiores desafios, sem esquecer que novos modelos estão constantemente surgindo, forçando atualizações no jogo que acompanhem essa evolução tecnológica.
As grandes distribuidoras de aplicativos hoje são a App Store da Apple e a Google Play, ainda que sejam apenas duas, diferentes configurações técnicas com relação ao jogo são exigidas para cada modelo de aparelho disponibilizado, o que torna bastante trabalhoso todo o processo de produção, inclusive as etapas finais, como a disposição das imagens da tela do jogo na loja de aplicativos.

Steam Brasil: Você atua fazendo jogos para smartphones na Europa e Ásia. O que te fez buscar esses mercados? Por que não investir no Brasil?

Gustavo Cisneiros: Pode soar até irônico, mas não foi escolha minha, o mercado que decidiu por mim.
Não há como saber como o público irá reagir ao seu trabalho, você pode criar um projeto visando o mercado norte americano e surpreendentemente ser um sucesso na Índia e um fracasso nos Estados Unidos.
É recomendável que o desenvolvedor de jogos produza seus aplicativos preferencialmente no idioma inglês, possibilitando alcançar o máximo de público que as lojas de aplicativos oferecerem.

Steam Brasil: Na sua opinião, visto a vastidão de jogos mobiles na época atual. Qual foi o grande precursor dos jogos mobiles que fez com que jogos mobiles fizessem tanto sucesso?

Gustavo Cisneiros: Acredito que Angry Birds mudou tudo na forma como o os jogos mobile eram vistos no passado e como são hoje, tanto pelo público consumidor quanto pelos profissionais desenvolvedores.
É interessante observar que Angry Birds foi o vigésimo ou trigésimo sétimo aplicativo lançado por uma pequena empresa finlandesa chamada Rovio, que até então não tinha alcançado sucesso com nada, e então de repente tornou-se milionária com o jogo dos pássaros zangados.
Procurando na internet sobre relatos de desenvolvedores que enriqueceram com aplicativos encontra-se muitas histórias, todas elas com um ponto em comum, perseverança. São raros os casos de sucesso logo no primeiro lançamento de uma pessoa ou empresa.

Steam Brasil: Atualmente há um Projeto de Lei 1577/2019 em tramitação que pode barrar games violentos, além de que até mesmo aplicativos que contenham violência podem ser barrados. Jogos como PUBG que é sucesso no mobile podem ser proibidos. Isso pode fazer com que os desenvolvedores abandonem o país, caso esse projeto passe?

Gustavo Cisneiros: Dificilmente ocorreria uma debandada de desenvolvedores do Brasil por causa dessa Lei, até porque o grande mercado consumidor não é o Brasil.
E mesmo que acontecesse algo radical como proibir legalmente que empresas produzissem jogos de temática violenta, a produção naturalmente se adaptaria às novas regras, nos vimos algo similar acontecendo na televisão brasileira, com a proibição de veiculação de comerciais voltados para crianças. A programação infantil foi substituída por uma mais adulta, o mercado se adaptou. Aconteceria o mesmo com o mercado de jogos.

Steam Brasil: Como funciona seu projeto de criação de jogos?

Gustavo Cisneiros: Cada projeto é único, não existe uma sequência de procedimentos fixa, alguns projetos são demandas de clientes, alguns são autorais, alguns são parcerias em que minha participação variar de tamanho.
O que faço questão de manter presente em todos os trabalhos dos quais participo é um cronograma, dividido em etapas, subdivididas em estágios, listando o papel de cada participante, de maneira a facilitar avaliar como está a situação do todo, quanto a prazos.

Steam Brasil: Você me disse que um dos seus jogos foi TOP 10 em paises do Leste Europeu. Como foi essa sensação? E o que causou sucesso nesse projeto?

Gustavo Cisneiros: A sensação foi um misto de incredulidade, alegria e surpresa.
Só o que me importava era que meu jogo fosse muito baixado no Brasil e nos Estados Unidos, países onde ele foi um grande fracasso.
Entretanto, a quantidade massiva de jogadores em lugares como Letônia, Lituânia e República Checa ocasionou o retorno financeiro de que eu precisava para compensar o investimento no projeto e justificar até uma possível continuação, que nunca aconteceu, por questões técnicas.
Difícil explicar o que causou o sucesso nestes países, foram locais onde muitas pessoas estavam procurando por algo similar ao que eu estava disponibilizando na loja de aplicativos na época, e tive sorte da concorrência não se destacar naquele momento. Teve muito a ver com o momento certo na hora certa, foi uma decisão acertada não lançar o jogo somente em português, mas em inglês também.

Steam Brasil: A Steam atualmente é a maior plataforma digital de jogos. Você já pensou em produzir algum jogo para ela?

Gustavo Cisneiros: Eu aprecio muito a Steam como um consumidor de seus produtos, mas como fornecedor, não creio que exista demanda na plataforma para os jogos casuais com quais eu gosto de trabalhar.
Talvez algum quem sabe eu tenha a sorte de algum dia participar de um projeto interessante direcionado para a Steam, como um colaborador, mas no momento não tenho nada em vista.

Steam Brasil: Deixe-nos um recado para quem quer se aventurar a ser um desenvolvedor.

Gustavo Cisneiros: A carreira de desenvolvedor de software é bastante promissora, recomendo a quem estiver iniciando que vá criando projetos próprios durantes seus estudos, jogos, aplicativos, sistemas web, pois estes frutos certamente contarão como pontos em avaliações para emprego, contribuirão para seu aperfeiçoamento profissional, além de que, nunca se sabe, vai que um desses seus projetos torne-se o próximo sucesso mundial.

A Steam Brasil agradece a entrevista dada pelo Gustavo, pela paciência e dedicação ao nos responder, contribuindo assim para que nossos leitores tenham acesso a informações que buscam,mas não encontram.

Contribuíram com essa entrevista:
Ana Claudia administradora da Steam Brasil

Written by: Paula Rodrigues

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