Games x Violência: o mito que tomam como verdade

Quem nunca leu a mídia culpabilizando games em casos envolvendo assassinatos brutais? Culpar os games é sempre o caminho mais fácil e rápido, segundo a mídia jogos violentos tornam violentos também quem o joga, mas a verdade está bem longe disso, games são apenas o bode expiatório, um mero coadjuvante numa sociedade doente e hipócrita.

Ontem ocorreu o Massacre em Suzano, dois jovens mataram 8 pessoas e feriram mais 11, a mídia em peso começou a culpar o jogo Free Fire, que eram jogados pelos dois assassinos, incluindo sua vestimenta, segundo eles, era algo influenciado pelo jogo, mas o que eles não foram buscar foi a relação bullying x escola que um dos assassinos sofria, além disso, havia a questão familiar, o convívio social e poderia haver inúmeros outros problemas, o ser humano não é algo programado, somos seres complexos e cada um reage a estímulos de forma diferente.

Violência x Games

Uma pesquisa publicada pelo Oxford Internet Institute chegou à conclusão que não há como associar comportamentos violentos em jovens ao tempo que eles se dedicam a games com conteúdos violentos. Publicada na Royal Society Open Science, a pesquisa levou em consideração dados de jovens britânicos e a classificação oficial dos jogos vendidos na região.

Foi testada a hipótese de que o jogo violento é positivamente relacionado às avaliações de comportamento agressivo. Os resultados não corroboram essa previsão, nem apoiaram a ideia de que a relação entre esses fatores segue uma função parabólica não-linear. Não houve evidência de um ponto crítico que relacione o envolvimento violento com o comportamento agressivo. Análises de sensibilidade e exploratórias indicaram que esses efeitos nulos foram estendidos através de múltiplas operacionalizações do envolvimento violento no jogo e quando o foco estava em outro resultado comportamental, a saber, o comportamento pró-social.

Um outro estudo publicadas no British Medical Journal em 2013, buscou a relação entre videogames e a violência infantil, o estudo levou 10 anos para ser concluído e estudou o comportamento de 11.000 crianças do Reino Unido utilizando como base a tv e video game, descobriu que os jogos não tiveram qualquer efeito sobre as crianças e que a tv, poderia ser muito mais prejudicial, ainda salientou que os jogos melhoraram a habilidade motora, ajudam a memoria e até melhoram a leitura.

Violência x Games no Brasil


Primeiro livro brasileiro a tratar do tema “videogame e violência” de maneira crítica. Até que ponto a relação entre jogos eletrônicos e violência é verdadeira e deveria estimular o combate implacável aos jogos mais violentos? As controvérsias em torno dos videogames se confundem com sua própria história. Neste livro, o autor, Salah H. Khaled Jr., recusa a explicação maniqueísta de que jogos violentos provocariam agressividade e dessensibilização. Além de analisar o discurso jornalístico e político em casos de violência envolvendo gamers, o autor reúne vasta bibliografia para sustentar que muitas pesquisas apresentam falhas metodológicas e não são capazes de apontar com segurança uma relação causal entre games e agressão e entre games e perda de sensibilidade diante da violência real. O livro também mostra que a indústria do videogame tem usado a polêmica a seu favor, muitas vezes ela mesma desencadeando deliberadamente o pânico, visando exclusivamente à compensação financeira. Com formação acadêmica em Criminologia, Direito Penal e História.

O autor do livro recentemente publicou em sua página de facebook sobre o Massacre de Suzano:
“O ataque a tiros em Suzano e (mais uma vez) a criminalização cultural dos games como defesa velada da livre circulação de armas de fogo – desta feita, pelo vice-presidente da República!
Novamente um ataque a tiros em escola faz com que o habitual bode expiatório seja convocado: o perigo que os games violentos supostamente representam. Uma explicação grosseira e simplificadora, que retrata de forma ardilosa um problema que é real, mas cujas causas são difíceis de discernir e enfrentar.
Sem falsa modéstia, eu escrevi a obra mais completa que existe sobre este tema. A resposta, fundamentada com base na criminologia, não tardará. E ela será mais do que uma simples especulação sobre uma questão que agora nos toca de modo mais profundo do que nunca, caro vice-presidente Mourão: o controle de armas de fogo. São elas que matam ou possibilitam que indivíduos com sérios problemas venham a matar muitas pessoas com extraordinária eficiência em um curto espaço de tempo. Não os games.

Mais em outros momentos. E lugares.”

Com essa obra inovadora no Brasil é possível desvincular a crença de que games são os grandes responsáveis pelos ataques extremistas e violentos como a mídia costuma relacionar, muitos pais acreditam nesse tipo de discurso e proíbem seus filhos de jogarem sem ao menos procurar se informar, mas deixam seus filhos expostos a propagandas muito piores.

Escola X Bullying

Segundo a mãe de um dos assassinos, seu filho abandonou a escola por sofrer bullying. No Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas. São adolescentes que sofrem agressões físicas ou psicológicas, que são alvo de piadas e boatos maldosos, excluídos propositalmente pelos colegas, que não são chamados para festas ou reuniões. O dado faz parte do terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, dedicado ao bem-estar dos estudantes.

O relatório é baseado na resposta de adolescentes de 15 anos que participaram da avaliação. No Brasil, 17,5% disseram sofrer alguma das formas de bullying “algumas vezes por mês”; 7,8% disseram ser excluídos pelos colegas; 9,3%, ser alvo de piadas; 4,1%, serem ameaçados; 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos. Com base nos relatos dos estudantes, 9% foram classificados no estudo como vítimas frequentes de bullying, ou seja, estão no topo do indicador de agressões e mais expostos a essa situação.

O bullying tem sérias consequências para a vítima, elas são mais propensas a faltar às aulas, abandonar os estudos, ter piores desempenhos acadêmicos e além disso também podem desenvolver os sintomas de depressão, ansiedade, baixa autoestima, perda de interesse por qualquer atividade, agressividade e chegar a atos de extrema violência, como invadir uma escola e matar os colegas. Algo que foi apontado pelo assassino do Massacre do Realengo em uma carta deixada. Em abril de 2011, um ex-aluno matou doze crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. O criminoso se matou depois de ser baleado pela polícia.

A verdade é que quem é violento e propenso a cometer atos brutais irá faze-lo independente de jogar ou não, quem possui doenças mentais pode chegar a atos extremos até porque o vizinho desligou o wifi, culpabilizar games é só o caminho mais fácil para não assumir os verdadeiros culpados que muitas vezes tem inicio dentro de casa. Os pais precisam se tornar mais presentes na vida dos filhos e perceber quando há algo errado seja em caso de vitimas ou culpados, buscar ajuda psicológica é o melhor caminho para tratar uma geração doente e prevenir a próxima.

Fontes:
Agência Brasil: Um em cada dez estudantes no Brasil é vítima frequente de bullying
Voxel: Pesquisa de Oxford diz que violência juvenil não pode ser associada a games
The Royal Society: Violent video game engagement is not associated with adolescents’ aggressive behaviour: evidence from a registered report
Techspot: Decade-long study claims video games don’t affect children
Professor Salah H. Khaled Jr Página do facebook

Written by: Paula Rodrigues

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